A ansiedade é hoje uma das principais razões pelas quais alguém procura terapia. Muitas pessoas chegam ao consultório descrevendo sintomas físicos intensos: aperto no peito, respiração curta, coração acelerado, tensão no corpo ou uma sensação constante de alerta.

Mas, do ponto de vista da psicanálise, a ansiedade não é um sintoma a ser eliminado. Ela aparece para comunicar algo, e precisamos escutá-la.

Por que a ansiedade existe?

Na psicanálise, desde Freud até Lacan, a ansiedade aparece quando algo do nosso mundo interno pede passagem, mas ainda não encontrou palavras.

Quando um conflito psíquico não consegue ser simbolizado, isto é, compreendido ou nomeado, o corpo muitas vezes passa a expressá-lo.

Por isso a ansiedade frequentemente atravessa o corpo com tanta força. O corpo se torna o lugar onde algo que não pôde ser dito aparece como sensação, tensão ou urgência. É o curto-circuito da palavra.

Não é raro que a pessoa diga:

  • Eu não sei exatamente o que está acontecendo.
  • Parece que algo está errado, mas não sei o quê.
  • Meu corpo entra em alerta sem motivo.

E por onde começar a entender de onde isso vêm? Em análise, vamos nomeando o que se sente, quando se sente, e onde se sente. É necessário investigar, na história de vida do paciente, quando isso tudo começou. O que estava/está em jogo? Qual posição ocupava? Quem eram as figuras presentes em sua história? O que se ganha e o que se perde com essa ansiedade?

Por que a ansiedade se manifesta no corpo?

O corpo reage porque ele participa diretamente da nossa vida psíquica.

Situações de incerteza, excesso de exigência, conflitos internos ou medo de perder algo importante podem ativar respostas fisiológicas intensas. A respiração muda, os músculos se contraem e o sistema nervoso entra em estado de alerta.

Quando isso acontece com frequência, a sensação pode se tornar quase constante.

Embora a terapia seja o espaço onde essas questões podem ser exploradas com mais profundidade, existem pequenas práticas que podem ajudar a atravessar momentos de ansiedade intensa.

Uma prática simples de respiração para momentos de ansiedade

Quando a ansiedade se intensifica, a respiração tende a ficar curta e acelerada. Um exercício simples pode ajudar o corpo a recuperar um ritmo mais estável.

Tente o seguinte:

  1. Inspire lentamente pelo nariz contando até 4.
  2. Segure o ar por 2 segundos.
  3. Expire lentamente pela boca contando até 6.
  4. Repita por cerca de 2 a 3 minutos.

O objetivo não é “eliminar” a ansiedade, mas permitir que o corpo reduza o estado de alerta.

Outra prática útil é trazer atenção para o presente:

  • Perceber os pés tocando o chão
  • Sentir o peso do corpo na cadeira
  • Observar a respiração entrando e saindo

Esses pequenos gestos ajudam a interromper o ciclo de aceleração corporal que acompanha a ansiedade. E lembre-se: seu corpo não é seu inimigo. Se ele está sinalizando perigo, precisa de cuidado. E ninguém o conhece tão bem quanto você.

A ansiedade também pode ser um ponto de partida

Na psicanálise, não se trata apenas de controlar sintomas. Muitas vezes, o trabalho terapêutico consiste em escutar o que esses sintomas estão tentando comunicar.

A ansiedade pode ser desconfortável, mas ela também pode indicar que algo importante na vida psíquica está em movimento.

Quando encontra um espaço de escuta, aquilo que antes aparecia apenas como tensão no corpo pode começar a se transformar em palavra, compreensão e novas possibilidades de escolha.

Sobre a autora: Juliana Braga é psicóloga clínica, pós-graduada em Psicanálise pelo Instituto ESPE. Atende adultos e jovens adultos, presencialmente em Salvador/BA e também na modalidade online.